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Tim Maia (1942 - 1998)
 

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Site oficial: http://timmaia.com.br


Tim Maia (nome artístico de Sebastião Rodrigues Maia), Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942 - Niterói, 15 de março de 1998), foi cantor, compositor, produtor, maestro, multi-instrumentista e empresário, e o grande responsável pela introdução do estilo soul na música popular brasileira.
Nascido no Bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, na Rua Afonso Pena 24, filho de Altivo Maia (1900-1959) e Maria Imaculada Maia (1902-1984) começou a compor melodias ainda criança e já surpreendia a numerosa família, ele era o penúltimo de 19 irmãos.

Teve uma infância humilde no bairro carioca da Tijuca, onde nasceu e cresceu. Quando criança foi entregador de marmitas para ajudar nas despesas de casa. Aos 8 anos cantava no coral da igreja e aos 12 ganhou um violão de seu pai.
Tim Maia começou na música tocando bateria num grupo chamado Tijucanos do Ritmo, formado na Igreja dos Capuchinhos próxima a sua casa, passando logo para o violão. E
m 1957, já dominando o violão, ele dava aulas para Roberto e Erasmo Carlos, Tim, nessa época, era conhecido como "Babulina", por conta da pronúncia do rock ”Bop-A-Lena” de Ronnie Self (apelido que Jorge Ben também tinha pelo mesmo motivo). Em 1957, fundou o grupo The Sputniks, do qual participaram Roberto Carlos, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington. Erasmo Carlos nunca fez parte do grupo, mas sim do The Snakes, grupo que acompanhou tanto Roberto quanto Tim após o fim do The Sputniks.

Em 1959, após o falecimento do pai, ele foi para os EUA estudar inglês, onde teve seus primeiros contatos com a soul music, principiando aí sua trajetória como vocalista. Tim viveu nos Estados Unidos de 1959 a 1963. Afirmava que ao morar fora do país, ficou um bom tempo sem falar o português já que na época poucos brasileiros moravam nos EUA. Lá montou uma minibanda. Para sobreviver no país chegou a trabalhar em lanchonetes da região. Em 1963 ele foi detido por porte de maconha e, após seis meses na prisão e mais dois esperando o retorno para seu país, foi finalmente deportado.

Seu primeiro trabalho solo, já no Brasil, foi um compacto pela CBS em 1968, que trazia as musicas “Meu país” e “Sentimento”, ambas de sua autoria. Com a gravação de um novo trabalho, em 1969, o compacto contendo “These are the Songs”, canção posteriormente regravada pela cantora Elis Regina em parceria com Tim, e “What You Want to Bet”, sua caminhada musical começou a se firmar. Um ano depois ele lançou o seu primeiro vinil em formato LP, Tim Maia, pela Polygram, indicado que foi pelo conjunto Os Mutantes, com o qual alcançou durante 24 semanas o topo das paradas no Rio de Janeiro. Os principais sucessos desse disco foram “Coronel Antônio Bento” (Luís Wanderley e João do Vale), “Primavera” (Cassiano) e “Azul da cor do mar”. Ainda em 1968, Tim produziu o álbum A Onda é o Boogaloo, de Eduardo Araújo, o álbum trouxe a sonoridade da soul music para a Jovem Guarda. Nesse mesmo ano, Roberto Carlos gravou uma canção de sua autoria, "Não Vou Ficar", para o álbum Roberto Carlos. A canção também fez parte da trilha sonora do filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa.

Nos três anos posteriores ele gravou Tim Maia volume II, volume III e volume IV, alcançando cada vez mais a fama e o sucesso, fazendo sucesso com canções como "Não Quero Dinheiro" e "Gostava Tanto de Você” e especialmente com as melodias dançantes.

Nos anos 70 ele conheceu a ideologia conhecida como Cultura Racional, comandada por Manuel Jacinto Coelho, ligado à questão da ufologia, e de 1975 a 1977 aderiu à essa doutrina filosófico-religiosa, lançando, nesse período as músicas "Que Beleza" e "Rodésia".

Seguindo esta vertente lançou, em 1975, os trabalhos Tim Maia Racional volumes 1 e 2, por um selo próprio intitulado Seroma, que se refere ao termo ‘amores’ escrito ao contrário e que também  são as primeiras letras de seu nome completo (SEbastião ROdrigues MAia). Neste período conseguiu ficar distante de seus vícios, o que influenciou positivamente o timbre de sua voz. Assim, são estes seus trabalhos mais bem aceitos pela crítica. Posteriormente, porém, frustrado com seu guru, se afastou deste ideário e tirou os discos do circuito, o que os converteu em preciosas raridades.

Desiludido com a doutrina voltou ao seu estilo de música anterior, em 1988, venceu o Prêmio Sharp na categoria de melhor cantor. Muitas de suas músicas foram gravadas sob a editora Seroma e sua gravadora Vitória Régia Discos, sendo um dos primeiros artistas independentes do Brasil. Ganhou o apelido de "síndico do Brasil" de seu amigo Jorge Ben Jor na música W/Brasil. Na década de 1990, diversos problemas assolaram a vida do cantor: problemas com as Organizações Globo e a saúde precária, devido ao uso constante de drogas ilícitas e ao agravamento de seu grau de obesidade. É amplo seu legado à história da música brasileira, e sua obra veio a influenciar diversos artistas, como seu sobrinho Ed Motta e seu filho (adotivo) Leo Maia. A revista Rolling Stone classificou Tim Maia como o 9º maior artista da música brasileira.

Lançou em 1983 o LP O Descobridor dos Sete Mares, com destaque para a canção-título "O Descobridor dos Sete Mares" (Michel e Gilson Mendonça) e para a canção "Me dê Motivo" (Michael Sullivan/Paulo Massadas) um dos seus maiores sucessos. Em 1985, gravou “Um Dia de Domingo”, também de Sullivan e Massadas, num dueto com Gal Costa, obtendo grande sucesso. Outro disco importante da década de 1980 foi Tim Maia (1986), que trazia o hit "Do Leme ao Pontal". Em 1986 participou do musical Cida, a Gata Roqueira, da Rede Globo, paródia ao conto de fadas, inspirado no filme The Blues Brothers (Os Irmãos Caras de Pau), de 1980, no qual James Brown interpreta um pastor evangélico. Nelson Motta criou um personagem similar para Tim, onde o cantor improvisa o Salmo 23 embalado por uma banda tocando funk.

Descontente com as gravadoras, Tim Maia retomou a ideia da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, pela qual passou a fazer seus lançamentos. Regravado por artistas do pop (Titãs, Paralamas do Sucesso, Marisa Monte), Tim retribuiu a homenagem gravando "Como Uma Onda", de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi grande sucesso nos anos 1990, juntamente com seu álbum ao vivo, de 1992. De Jorge Ben Jor, ganhou o apelido de "o síndico do Brasil", na música "W/Brasil".

Em 1993, dois acontecimentos impulsionaram sua carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção "W/Brasil" e uma regravação que fez de "Como Uma Onda" (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD "Tim Maia", do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas, funks e souls. Ao longo dessa década também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso e Marisa Monte. Em 1996, lançou dois CDs ao mesmo tempo: Amigo do rei, juntamente com Os Cariocas, e What a Wonderful World, com recriações de standards do soul e do pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970. Em 1997, lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 42 anos de carreira. Nesse mesmo ano, fez uma nova viagem aos Estados Unidos.

Tim Maia foi casado com Maria de Jesus Gomes da Silva, apelidada de Geisa, ele a conheceu quando ela tinha 17 anos, juntos tiveram um filho: Carmelo. Tim também assumiu Léo (Márcio Leonardo), o filho que sua esposa teve na adolescência com o goleiro Vitório, que atuou no Fluminense entre 1966 e 1973. Tim chegou inclusive a registrar o menino, pois se apegou ao bebê, afinal conheceu a esposa já grávida e ela seria mãe solteira, como Tim viu o menino nascer, sentia como se a criança fosse sua, mesmo sabendo não ser. Quando Léo Maia tinha 12 anos (1988), Geisa e Tim se separaram. Geisa casou-se novamente com um delegado, se tornando amiga de Tim e dividia com ele a guarda de Carmelo e Léo.
Tentou a carreira política ao filiar-se ao PSB, em 1997. No final de sua vida sofreu com problemas relacionados a obesidade, diabetes e problemas respiratórios. Durante a gravação de um espetáculo para a TV no Teatro Municipal de Niterói, no dia 8 de março de 1998, Tim tentou cantar, mesmo sabendo de sua má condição de saúde. Não conseguiu e retirou-se sem dar explicações; terminou sendo levado para o Hospital Universitário Antônio Pedro numa ambulância, vindo a falecer em 15 de Março em Niterói aos 55 anos e com 140 quilos, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada. Por ter sido usuário de drogas por muitos anos, isso acabou por contribuir com seu estado de saúde e morte. No ano seguinte seria homenageado por vários artistas da MPB num show tributo, que se transformou em disco, especial de TV e vídeo.
“Vale Tudo - O som e a fúria de Tim Maia” é um livro de 2007 lançado pela Editora Objetiva. O livro foi escrito pelo jornalista e produtor musical Nelson Motta, amigo e fã de Tim, é um livro biográfico e conta a história de Tim Maia, desde sua infância, no bairro carioca da Tijuca, sua ida conturbada aos Estados Unidos, onde foi preso e deportado por roubo e porte de drogas, até destacar-se pelo pioneirismo em trazer para a MPB o estilo soul de cantar. Com sua voz grave e carregada, tornou-se um dos grandes nomes da música brasileira, conquistando grande vendagem e consagrando sucessos, lembrados até hoje, pelo grande público.

Frases de Tim Maia:
Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita.
Eu não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que eu minto um pouco.
O Brasil é uma terra de mestiço pirado querendo ser puro-sangue.
Passou de branco, preto é. Não existe este negócio de mulato. Mulato pra mim é cor de mula.
O mundo só será bom no dia que todo o dinheiro acabar, mas que não me falte nenhum enquanto isso não acontece.
Hoje, sou latino, mas em Nova York eu era preto mesmo.
Dos artistas do Rio, metade é preto que acha que é intelectual e metade é intelectual que acha que é preto.
 

   

 

 
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